Petroleiros no twitter: @petroleiros

http://www.twitter.com/petroleiros

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

A Petrobrás tem a mania de comprar aqui O FHC é dava emprego a metalúrgico de Cingapura, lembra ?

O Conversa Afiada reproduz press-release da Petrobrás para desmentir o PiG (*) pela enésima vez. De novo, o PiG (*) defende o emprego de metalúrgicos não residentes no Brasil. (E empresas não brasileiras …) É uma obsessão ! Nota à imprensa da Petrobras 25 de fevereiro de 2013 Petrobras reafirma compromisso com conteúdo local A respeito da matéria veiculada hoje, 25/2, pelo jornal “O Estado de S.Paulo” sob o título “Petrobras vai à China para evitar atraso na produção. Fornecedor local reclama”, a Petrobras esclarece que: - A realização de obras das plataformas P75, P76, P77 (Cessão Onerosa) e P67 (FPSO Replicante) na China não implicará descumprimento das regras ou dos percentuais de conteúdo local estabelecidas nos contratos. A maior parte dos serviços será executada nos estaleiros nacionais. Os serviços a serem realizados na China representam menos de 3% do valor total dos contratos para construção dos 4 FPSOs da Cessão Onerosa e dos 8 FPSOs Replicantes. No caso dos 8 FPSOs Replicantes, apenas metade (50%) de um dos cascos contratados será construída na China. - Além da P-74, todos os demais cascos para a Cessão Onerosa (P-75, P-76 e P-77) virão para o Brasil, para continuação das obras de conversão e posterior integração no país com os módulos, que estão sendo contratados. - Em relação ao edital de licitação para conversão dos cascos para a Cessão Onerosa, este não impedia que, respeitados os requisitos de conteúdo local, parte do escopo fosse executada no exterior, a critério da contratada. A proposta vencedora, respeitando o conteúdo local exigido, foi 30% menor que a do segundo colocado. - Não existem negociações em andamento para realização de outros serviços na China relativos aos cascos dos FPSOs Replicantes ou da Cessão Onerosa. - A Petrobras não decidiu afretar FPSOs para utilização na Cessão Onerosa. A Petrobras não está negociando afretamento de FPSOs com conteúdo local zero. Desde 2010 a Petrobras vem exigindo que os FPSOs afretados atendam requisitos de conteúdo local similares aos praticados para as unidades próprias. A Petrobras reafirma seu compromisso com o conteúdo local e com o desenvolvimento da indústria naval brasileira. A Companhia vem investindo fortemente nas obras de construção do Estaleiro Rio Grande e na revitalização do Estaleiro Inhaúma, que se encontrava desativado há mais de 10 anos. O índice de conteúdo local contratado é imutável e a Petrobras não cogita alterá-lo. (*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Lindbergh 'nocateia' Aécio no debate no Senado. Tucano excluiu o povo até do discurso .

video
Lindbergh 'nocateia' Aécio (o senador que dirige bêbado e com a carteira vencida) no debate no Senado. Tucano excluiu o povo até do discurso. O senador Lindbergh Farias (PT-RJ) "nocauteou" o senador Aécio Neves (PSDB-MG) no embate político travado no Senado. O tucano fazia um discurso de oposição e Lindbergh fez um aparte desconcertante.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Dilma diz que há previsões 'equivocadas' sobre economia Presidente discursou em ato para comemorar os 10 anos do PT no poder. 'É preciso mais seriedade no manejo de informações que repercutem', disse.



A presidente Dilma Rousseff afirmou nesta quarta-feira (20) que há previsão “equivocada e tendenciosa” em relação à capacidade do país em aumentar o ritmo de crescimento da economia. Ela discursou durante ato em comemoração aos 10 anos do PT no governo, em São Paulo.

Dilma falava sobre as especulações recentes em torno da redução do custo da energia elétrica. Setores da economia e também da política chegaram a afirmar que o corte prometido pelo governo não seria efetivado. “É preciso mais seriedade no manejo de informações que repercutem diretamente na vida das pessoas”, afirmou.

“O mesmo tipo de previsão equivocada e tendenciosa começa agora a se repetira em relação à capacidade do Brasil em aumentar seu ritmo de crescimento e de manter a estabilidade economia. Repito: nosso fundamentos estão cada vez mais sólidos. O nosso governo enfrentou com competência uma das maiores crises internacionais da historia. Está mais do que preparado para enfrentar os desafios do presente e do futuro”, discursou.

Nesta quarta-feira, o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), indicador que busca antecipar o resultado do Produto Interno Bruto (PIB), apontou que o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro registrou crescimento de 1,64% no ano passado.
saiba mais

'Prévia do PIB' tem crescimento de 1,6% em 2012, revela Banco Central
Resposta ao PSDB virá com reeleição de Dilma em 2014, diz Lula
Partidos aliados abrem ato e enaltecem 10 anos do PT no governo

A presidente criticou as pessoas que duvidam “da nossa capacidade de garantir a estabilidade macroeconômica do país”, a qual afirmou ser um compromisso “inegociável”. “Os que apostarem no contrário amargaram sérios prejuízos financeiros ou políticos”, declarou.

De acordo com a presidente, os pilares da economia brasileira são o bem estar do povo, a diminuição da desigualdade, o aumento do emprego e dos salários. Ela criticou governos anteriores ao PT, durante os quais, disse, se “contemplava” a miséria.

“O Brasil tem mostrado ao mundo que os pilares econômicos e sociais não são incompatíveis. Essa é uma das grandes conquistas dessa década, termos provado isso contra décadas e décadas em que havia um preconceito: ou se crescia ou se contemplada impassivelmente a miséria do povo”, afirmou.

Dilma destacou medidas tomadas em seu governo que, segundo ela, “destravaram” a economia: desoneração da folha de pagamento, corte do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), concessão de obras de infraestrutura, controle da inflação, aumento do salário mínimo, diminuição da taxa de juros, elevação das reservas internacionais e ampliação dos gastos sociais.

“Soubemos tomar medidas poderosas para destravar nossa economia, modernizar nossa infraestrutura, diminuir nossos custos de produção e aumentar a competividade do nosso parque produtivo. E isso sem descuidar nem um só minutos da estabilidade macroeconomia”, afirmou.

domingo, 10 de fevereiro de 2013

“Há interesses políticos em desvalorizar a Petrobras”, diz consultor



"Existe um interesse político, de quem já quis privatizar a Petrobras, de diminuir os investimentos na empresa  e assim, enfraquecê-la, mas há também uma vontade de quem quer comprar ações mais baratas. Sempre vão ter aqueles que vão acreditar nesse discurso, de que a Petrobras tá indo mal, e vender seus papéis".

A análise, na contramão de tudo o que vem sendo falado com relação à estatal brasileira do petróleo, é do engenheiro Ivo Pugnaloni, investidor na empresa e consultor da Enercons para o setor de energia.

A empresa fechou o ano de 2012 com lucro de R$ 21,18 bilhões, o menor dos últimos oito anos. Com isto, os investidores, que viram os dividendos serem reduzidos em 3%. Se não bastasse, a própria presidente, Graça Foster, em entrevista admitiu que o ano de 2013 ainda será de dificuldades. Tudo junto fez com que as ações da estatal atingissem, na terça-feira (5) o seu menor patamar desde 2005, fechando o pregão em queda de mais de 8,29%. Nesta quarta-feira (6) a queda continuou: 2,65%.
Processo de desvalorizar a empresa

Nada disto, porém, assusta Pugnaloni. Para ele, o corte de dividendos servirá para melhorar a capitalização da Petrobrás.

"A empresa tem uma demanda de investimento muito grande para os próximos anos, tanto para o fornecimento de gás, por exemplo, que em momentos de insegurança energética como o que aconteceu agora pode ser fundamental, mas também para o desenvolvimento de energias renováveis, de exploração do pré-sal. A importância da Petrobras para o Brasil é inegável", lembra o especialista.

Para ele, o desespero dos acionistas é exagerado e desnecessário, pois o processo atual, de corte no lucro dos acionistas para aumentar a capitalização, é natural e importante para a Petrobras. Pugnaloni detecta um movimento para tentar diminuir o valor e a imagem da estatal e assim, lucrar na compra das ações a preços mais baixos.
Importância indiscutível

A importância da Petrobras na economia brasileira, segundo o engenheiro, é fundamental. "A Petrobras é tudo, por isso que, para quem não pensa no Brasil, ela precisa 'ser destruída'. Não só na questão energética, que a sua presença é indiscutível, mas também na produção de tecnologia, projetos, energia e pesquisa, não tem como discutir", destaca.

O especialista aproveitou ainda para criticar a Aneel, por atrasar a liberação de obras de infra-estrutura energética, como a construção de novas hidrelétricas. "Se a gente depender deles, não construiremos nada. Mais um motivo para apoiarmos a capitalização da Petrobras", conclui.

P.S.: o ex-ministro da equipe de FHC Luiz Carlos Mendonça de Barros, ligado ao PSDB, também recomenda a compra das ações da Petrobras na baixa pois considera boas as perspectivas da empresa.

“Há interesses políticos em desvalorizar a Petrobras”, diz consultor
Publicado no Jornal do Brasil – edição de 06/02/2013


domingo, 6 de janeiro de 2013

MORALISMO AJUDA A ESCONDER A LEI



Excelente artigo da revista Época - é muito raro que uma públicação anti-governista que atua fortemente pelo individualismo/consumismo tenha permitido a publicação de uma opinião tão bem elaborada e verdadeira - recomendo a todos e, principalmente, aos "companheiros inseguros" e aos operadores do direito.

Moralismo ajuda a esconder a lei
Por Paulo Moreira Leite – publicado em 06/01/2013 no endereço: http://colunas.revistaepoca.globo.com/paulomoreiraleite/2013/01/06/moralismo-ajuda-a-esconder-a-lei/

Os ataques a José Genoíno chegaram a um ponto escandaloso e inaceitável.

Vários observadores se colocam no direito de fazer uma distinção curiosa. Dizem que a decisão de Genoíno em assumir o mandato para o qual foi eleito por 92 000 votos pode ser legal mas é imoral.

Me desculpem. Mas é uma postura  de ditadorzinho, que leva a situações perigosas e inspira atos violentos. Também permite decisões arbitrárias e seletivas. Pelo argumento moral, procura-se questionar direitos que a lei oferece a toda pessoa. Isso é imoral.

Não surpreende que essa visão tenha produzido  grandes tragédias, na história e na vida cotidiana.

Isso porque os valores morais podem variar de uma pessoa para outra mas a lei precisa valer para todos.

Você pode achar que aquele livro sobre não sei quantos tons de cinza é uma obra imoral mas não pode querer que seja proibido por causa disso. Por que? Porque a Lei garante a liberdade de expressão como um valor absoluto.

Para ficar num exemplo que todos lembram. Os estudantes de uma faculdade paulista que agrediram e humilharam uma aluna que foi às  aulas de mini saia muito mini também se achavam no direito de condenar o que era legal mas lhes parecia imoral.  Vergonhoso. Isso sempre acontece quando se pretende dizer que o moral precisa ser o legal.

Para começar, quem acha muita imoralidade da parte de Genoíno deveria olhar para o lado em vez de exagerar na indignação.

Em seis Estados brasileiros o Superior Tribunal de Justiça, a segunda mais alta corte do país, tenta licença para processar governadores e não consegue avançar na investigação. Não consegue nem apurar as acusações que o STJ considera sérias.

Por que? Porque as Assembleias Legislativas não autorizam. Curiosidade: não há  ”petistas aparelhados”  envolvidos. Entre os 6 governadores, cinco são tucanos e um é do PMDB. Quantos são imorais nesse time? E os ilegais?  Vai saber.

O que está em jogo, nos Estados? O princípio do artigo 55 da Constituição, aquele que reserva ao Congresso o direito de decidir pela cassação (ou não) de deputados e senadores. São os representantes eleitos que podem cassar os representantes do povo – e apenas eles.

Mas é curioso que ninguém fala em imoralidade neste caso.

Pergunto: cadê o abaixo assinado, uma denúncia contra “esse políticos” ? Cadê as marchadeiras de botox e cabelo tingido? Onde ficaram nossos moralistas de punho cerrado? Onde estão os cronistas do cronstragimento, os marqueteiros da “imagem” dos políticos?

Será que voltamos (ou nunca saímos?) à lógica dos dois mensalões, o do PT e o do PSDB-MG?

A Constituição reconhece os três poderes e não reconhece, de forma alguma, qualquer hierarquia entre eles.

E aí cabe a pergunta: se as Assembleias Legislativas podem impedir a abertura de uma investigação sobre governadores, por que o Congresso não tem o direito de decidir, como manda a Constituição, o destino de quatro deputados?  Há uma diferença de princípio, uma visão de mundo?

Ou é a velha paróquia política do país ?

No caso dos governadores e deputados, a preferência é tão descarada que nem se abre uma investigação. Não vamos julgar e depois absolver. Não. Nem se começa o jogo. Não custa recordar de novo. A Lei diz que o mandato de um deputado só pode ser cassado por decisão do Congresso. Não é interpretação. Não é princípio genérico.

É texto da lei. É tão claro como dizer que o  Brasil não pode fabricar bomba atômica. Ou que o racismo é crime e é inafiançável. Ou que a licença-maternidade deve durar quatro meses.

O jurista Pedro Serrano, especialista em Direito Constitucional, disse aqui mesmo neste blogue que essa prerrogativa é um dos elementos básicos da separação entre os poderes, definição que separa a República da Monarquia.

Embora diversos ministros do Supremo tenham feito elogios demorados à Constituição do Império – entre outros traços típicos, ela tratava os escravos como coisas – desde 1899 o país vive sob um regime republicano. O retorno à monarquia foi derrotado em plebiscito, junto com o parlamentarismo, lembra?

Teve gente que levou os descendentes de Pedro II e da Princesa Isabel para percorrer o país, na esperança de que algum fantasma do passado contribuísse para melhorar o  marketing eleitoral da monarquia.

Mas o Supremo considerou por 5 votos a 4 que tem o direito de cassar os mandatos dos deputados condenados pelo mensalão. Muitos juristas – os mesmos que os donos da moral de hoje costumam ouvir quando lhes interessa  — consideram que foi uma decisão que atravessou essa divisão entre poderes.

Num plenário que em situações normais inclui onze votos, cinco ministros acharam-se no direito de questionar um artigo explícito da Lei Maior. Quatro ficaram contra essa decisão.

Em qualquer caso, não custa lembrar que, como está estabelecido, a Constituição só pode ser modificada por  uma emenda constitucional, com o voto de dois terços – e não maioria simples – dos parlamentares, que são os representantes eleitos do povo. Não é debate moral. É determinação legal.

Por que ela diz isso? Porque esse artigo 55 é coerente com o artigo 1, aquele que diz que “todo poder emana do povo, que o exerce através de seus representantes eleitos.”

Uma decisão do Supremo deve ser cumprida e tem força de lei, diz  o Ministro da Justiça.

Mas o que se faz quando, por 5 votos a 4, se estabelece uma diferença clamorosa, uma contradição com a própria Constituição?

Não é possível ser simplório nem empregar argumentos de autoridade. A menos, claro, que se pretenda criar um novo tipo de autoritarismo.Durante o Estado Novo, o Supremo autorizou que a militante comunista Olga Benário fosse enviada para a morte num campo de concentração nazista.

Seria imoral e ilegal tentar impedir a entrega de Olga Benário por todos os meios e recursos que poderiam preservar sua vida, sua dignidade e mesmo a filha que levava em seu ventre, vamos combinar.

Em 1964, o Supremo aceitou a tese de que a presidência da República ficara vaga depois que Jango deixou o país e deu posse à ditadura militar. Legal? Moral? Ou ilegal e imoral?

Em 2010, o Supremo decidiu por 7 votos a 2, que só o Congresso poderia modificar a Lei  de Anistia. Com isso,  as investigações sobre torturas e execuções perderam uma base legal importante.

Pergunto: vamos proibir os jovens que denunciam torturadores nas operações esculacho, e não se rendem a uma decisão que – sem entrar no debate se correta ou não – envolve uma opção pela impunidade?

Vamos chamar a PM para dar porrada? (Quando ela não estiver perseguindo estudantes que portam maconha, o que lei diz que é legal em certa quantidade mas que muita gente considera imoral e por isso aprova todo tipo de repressão, até sem base legal).

Mais ainda. Vamos silenciar procuradores que, teimosamente, ainda procuram brechas para colocar os responsáveis por crimes contra a humanidade na cadeia, lembrando que a Constituição diz que a tortura não é passível de anistia ou graça?

Os 7 a 2 do Supremo  deveriam garantir que esses garotos exemplares fossem silenciados para sempre?

Queremos a Submissão à autoridade, título de um livro antológico sobre técnicas de tortura?

Colocar a questão moral à frente da legal só ajuda a despolitizar um debate, a encobrir questões sérias e a impedir uma avaliação consciente do que está em jogo. No saldo, quem perde é a democracia.

Quando Genoíno se diz com a “consciência limpa dos inocentes” deveríamos dedicar alguns minutos de reflexão ao assunto.

Você pode, com base naquilo que viu e ouviu nas 53 sessões do julgamento, achar que ele é mesmo culpado e deveria renunciar ao mandato que recebeu.

Mas você poderia pensar o contrário.

A grande acusação é que ele assinou “empréstimos fraudulentos” que alimentaram o esquema, certo? Podemos ouvir isso todo dia, nos comentários de sabichões que frequentam o rádio e a TV.

Mas:  veja só. A própria Polícia Federal, que investigou o caso e as contas do mensalão, concluiu que os empréstimos não eram uma fraude. Em seu relatório, a PF diz que os empréstimos foram verdadeiros, implicaram na remessa de dinheiro do Banco Real para o PT.  A Justiça, mais tarde, supervisionou um acordo para o pagamento do empréstimo. Era ilegal? Era imoral? Ou o que?

Em todo caso, se era ilegal, pergunta-se: o que aconteceu com a turma do Banco Central que deveria fiscalizar essas coisas?

O que houve com quem referendou o acordo?  Alguém foi punido por ser ilegal? Ou não se julgou moralmente conveniente?

Muitos ministros condenaram Genoíno porque “não era plausível” que ele “não soubesse” do que eles dizem sobre o que seria o  “maior escândalo da história.” Uniram o papel político óbvio de Genoíno no governo Lula com um esquema financeiro, sem conseguir provar seu envolvimento direto na “compra de votos” no Congresso. Não conseguiram apontar, sequer, qual projeto foi aprovado em troca de dinheiro.

Enquanto não se provar que Genoíno cometeu uma ilegalidade, estamos,  mais uma vez, numa visão moral de uma pessoa, num julgamento que envolve a atribuição de atitudes e valores, mas não consegue reunir provas robustas – indispensáveis no direito penal — para sustentar o que diz.

O que é imoral, neste caso?

Embora o Supremo tenha condenado Genoíno, a lei  dá ao deputado o direito de aguardar pelo exame de todos os recursos antes de considerar que o caso está encerrado. Junto com a  liberdade, é a história de uma vida que está em jogo.

Ao contrário do que se poderia julgar do ponto de vista moral, ele tem o dever de resistir. A lei não lhe dá essa possibilidade por acaso. O necessário, para o esclarecimento de qualquer dúvida, de qualquer ponto de vista, é que que ele entre com seus recursos, que eles sejam ouvidos, examinados e conhecidos por todos. E a melhor forma de fazer isso é preservando seu mandato.

Vou adorar ouvir seus argumentos, na tribuna da Câmara. E vou adorar ouvir os argumentos contrários.

Será uma grande novidade. Em sete anos de investigações, o mensalão transformou-se no discurso de um lado só, uma única voz, uma única verdade. Cada advogado de defesa teve direito a um discurso de duas horas num julgamento que durou cinco meses. Isso impediu que dúvidas importantes, sobre Genoíno e sobre o mensalão, fossem discutidas e resolvidas. Nenhuma auditoria provou que os recursos usados pelo esquema do PT foram extraídos do Banco do Brasil. Não há sinal de desvio na Visanet, empresa que fazia os pagamentos para as agências de Marcos Valério. Ou seja: verdades que pareciam evidentes em 2005 teriam de ser examinadas, revistas e explicadas em 2012. Ou corrigidas, ou retiradas.

É por isso que o  Congresso  tem razão em debater  suas prerrogativas e nossos moralistas de plantão erram quando tratam Marco Maia e seu provavel sucessor, Henrique Alves,como criadores de caso, encrenqueiros que jogam para a platéia.  Se o artigo 55 não foi abolido – o que só os parlamentares tem o direito de fazer – é mais do que razoável que sua aplicação seja discutida. Um pouquinho de história, para quem tem a memória selecionada. A cronologia diz tudo neste caso. Ao longo de 7 anos de mensalão Congresso não moveu um dedo mínimo para atrapalhar a investigação. Tampouco cometeu qualquer gesto em direção ao STF que pudesse ser interpretado como ação indevida. Ficou silencioso em seu canto, respeitoso das atribuições de cada um. E é natural que queira ser respeitado, agora.

O ministro que decidiu a votação por 5 a 4 teve um voto oposto, em situação muito parecida.

Juízes não são obrigados a votar de modo identico a vida inteira.

Mas a democracia é um regime coerente.

Por isso a Constituição diz que o povo exerce o poder através de seus representantes eleitos. Esta frase não é enfeite, certo? O voto da maioria da população é o começo e o fim de tudo.

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

O mensalão, as elites e o povo

O mensalão, as elites e o povo - Luiz Carlos Bresser-Pereira - Folha de São Paulo - 31/12/2012

Depois do fracasso da aventura neoliberal, as elites se prendem ao velho moralismo liberal

O fato político de 2012 foi o julgamento pelo Supremo Tribunal Federal do processo do mensalão e a condenação a longos anos de prisão de três líderes do Partido dos Trabalhadores com um curriculo respeitável de contribuições ao país.

O que significou, afinal, esse julgamento? O início de uma nova era na luta contra a corrupção no Brasil, como afirmaram com tanta ênfase elites conservadoras, ou, antes, um momento em que essas elites lograram afinal impor uma derrota a um partido político que vem governando o país há dez anos com êxito?

Havia um fato inegável a alimentar o processo e suas consequências políticas. O malfeito, a compra de deputados e o uso indevido do dinheiro público existiram. Mas também é inegável que, em relação aos três principais líderes políticos condenados, não havia provas suficientes -provas que o direito penal brasileiro sempre exigiu para condenar. O STF foi obrigado a se valer de um princípio jurídico novo, o domínio do fato, para chegar às suas conclusões.

Se, de fato, o julgamento do mensalão representou grande avanço na luta pela moralidade pública, como se afirma, isso significará que a Justiça brasileira passará agora a condenar dirigentes políticos e empresariais cujos subordinados ou gerentes tenham se envolvido em corrupção. Acontecerá isso? Não creio.

Como explicar que esse julgamento tenha se constituído em um acontecimento midiático que o privou da serenidade pública necessária à justiça? Por que transformou seu relator em um possível candidato à Presidência (aquele, na oposição, com maior intenções de votos segundo o Datafolha)? E por que, não obstante sua repercussão pública, o Datafolha verificou que, se a eleição presidencial fosse hoje, tanto Dilma Rousseff quanto o ex-presidente Lula se elegeriam no primeiro turno?

Para responder a essas perguntas é preciso considerar que elites e povo têm visão diferente sobre a moralidade pública no capitalismo.

Enquanto classes dominantes adotam uma permanente retórica moralizante, pobres ou menos educados são mais realistas. Sabem que as sociedades modernas são dominadas pela mercadoria e pelo dinheiro.

Ou, em outras palavras, que o capitalismo é intrinsecamente uma forma de organização econômica onde a corrupção está em toda parte. O Datafolha nos ajuda novamente: para 76% dos brasileiros existe corrupção nas obras da Copa.

Hoje, depois do fracasso da aventura neoliberal no mundo, as elites, inclusive a classe média tradicional, estão desprovidas de qualquer projeto político digno desse nome e se prendem ao velho moralismo liberal.

Já os pobres, pragmáticos, votam em quem acreditam que defende seus interesses. Não acreditam que elites e o país se moralizarão, mas, valendo-se da democracia pela qual tanto lutaram, votam nos candidatos que lhes inspiram mais confiança.

Não concluo que a luta contra a corrupção seja inglória. Ela é necessária, e sabemos que quanto mais desenvolvido, igualitário e democrático for um país, mais altos serão seus padrões morais. Terem havido condenações no julgamento do mensalão representou avanço nessa direção, mas ele ficou prejudicado porque faltou serenidade para identificar crimes e estabelecer penas.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Fernando Haddad - Com as mãos no fogo

Entrevista com Fernando Haddad na Folha de São Paulo - coluna da Mônica Bergamo 31/12/2012.

Com as mãos no fogo
 
Prestes a comandar a maior capital brasileira, Fernando Haddad sai em defesa do ex-presidente Lula, vê "onda conservadora impressionante" no país e afirma que não será candidato à Presidência da República em 2018
 
Fernando Haddad está em período de tensão pré-posse. "Acho que só no dia 2 vou relaxar", afirmou ele à coluna na manhã de sexta, 28, ao conceder a sua "última" entrevista antes de assumir a Prefeitura de São Paulo. "É muita coisa para se pensar. Depois, melhora. Na cadeira de prefeito, a coisa deslancha." Estrela maior do PT nas eleições deste ano, Haddad diz não temer as consequências da retração na economia, admite que o partido pode estar acuado por uma "guinada conservadora" e sai em defesa de Lula: "Eu ponho as duas mãos no fogo" por ele.
 
CRISE ECONÔMICA

Não acredito em queda de arrecadação municipal porque no ano que vem a economia vai crescer mais do que neste ano. Tenho certeza. Agora, nosso problema só vai se resolver com parceria público-privada e público-pública. E este é o ponto relevante: como é que se vai recuperar a economia brasileira para patamares de crescimento de 4% ao ano sem investimento público? São Paulo pode ter uma carteira de projetos que interessará necessariamente ao governo central.
Qual é a situação de SP? É a de um orçamento basicamente consumido pelo custeio.
 
Folha - São R$ 42 bilhões?
Haddad - Se é que essa receita se realizará.
 
Está superestimada?
Talvez um pouco. Mas mesmo com R$ 38, R$ 39 bilhões, você está falando de uma arrecadação consumida pelo custeio da máquina, que está pesada. Há pouquíssimo espaço para investimento.
 
Quanto? R$ 6,5 bilhões?
Não sei de onde, sinceramente, saem esses números. Essa conta não é minha -e está errada. Os recursos que, dizem, estão na conta [da Prefeitura] são carimbados. Não é um dinheiro que você pode manusear para investir. E corresponde a pouco mais de um mês de arrecadação. Está aquém da nossa necessidade. Muito aquém.
 
LULA
Eu tenho pelo presidente Lula um apreço incomensurável. Fui seu ministro [da Educação] durante quase seis anos e, se eu disser que o presidente Lula me deu um telefonema para discutir qualquer assunto que não fosse do interesse da educação estritamente, estaria mentindo. Eu administrei o segundo maior orçamento da República. Montei equipe, programas, o plano de desenvolvimento da educação, com total liberdade, endosso, entusiasmo e patrocínio do presidente Lula. Então é uma pessoa que eu conheço e reconheço não só como liderança política, mas grande administrador público.
 
MARCOS VALÉRIO
Ponho as duas mãos no fogo pelo presidente Lula. E mais: acho uma coisa absolutamente temerária esta pessoa, o Marcos Valério [pivô do mensalão que afirmou recentemente que Lula deu "ok" para as operações que originaram o escândalo], depois de anos defendendo reiteradamente uma versão, agora mudar. É temerário se atribuir o valor que está se atribuindo a esse depoimento. A partir do momento em que muda ao sabor das circunstâncias, a credibilidade dessa pessoa é que precisa ser discutida.
 
E a Operação Porto Seguro, que envolve uma ex-assessora de Lula [Rose Noronha] numa máfia de venda de pareceres?
As investigações é que vão dizer. O que de fato aconteceu a partir desse suposto tráfico de influência? Ele foi eficaz? Produziu efeito concreto? Enfim, o que posso dizer é que convivi com o presidente Lula e sei do seu método de trabalho, do seu compromisso com o país, da sua dedicação.
 
O senhor já me disse que Lula é a única personalidade na defesa de quem as pessoas sairiam de casa.
Ah, ele mobiliza, né? As pessoas confiam no presidente Lula. E quem trabalhou com ele tem duas vezes mais razão para isso.
 
Acha possível uma mobilização em defesa de Lula?
Creio que não haverá a menor necessidade disso.
 
O senhor também já falou que essas críticas podem forçar Lula a ser candidato de novo.
Não vejo que o presidente se paute por esse tipo de circunstância. Mas ele é novo, fisicamente forte, gosta da política e foi o melhor presidente da República que o Brasil já teve, segundo todas as pesquisas de opinião. Por que não pode pensar em voltar? Ele tem todas as condições de pleitear um cargo público, qualquer que seja.
 
Governador? Senador?
Estou tão acostumado a vê-lo como presidente da República que é difícil imaginá-lo em outra posição.
 
Em 2014 ou em 2018?
Não vejo essa hipótese de 2014 em função até do sucesso da presidenta Dilma [Rousseff] e da sua vontade, ainda não manifesta, de continuar o seu trabalho, que é apreciado pela população.
 
MENSALÃO
Os desdobramentos jurídicos desse julgamento vão ganhar mais espaço. Porque do ponto de vista político está encerrado o assunto. Mas, do ponto de vista doutrinário, há um longo caminho a ser explorado, nas faculdades de direito, entre juristas, criminalistas.
O julgamento estará imerso em controvérsia, em função das inflexões que ele promoveu. Porque houve uma mudança de jurisprudência radical para a condenação dos acusados. Toda uma releitura foi feita. A controversíssima tese do domínio do fato [que levou à condenação de José Dirceu], por exemplo. Essa discussão vai perdurar por muitos anos, vai se verificar se outros casos vão receber o mesmo tratamento...
 
Como o mensalão do PSDB?
Por exemplo. A curiosidade é grande.
 
PT ACUADO
O uso que partidos conservadores fizeram dessas temáticas [descriminalização do aborto, defendida no passado pelo PT, e combate à homofobia] pode, sim, ter acuado o PT. Porque foi um uso muito truculento [referindo-se às campanhas presidencial de 2010 e municipal de 2012, em que o então candidato do PSDB José Serra discutiu os temas]. E de onde menos se esperava. Porque os tucanos sempre foram percebidos como uma camada ilustrada da sociedade. Tinham verniz de modernidade, não se associariam ao obscurantismo para a luta política rebaixada. Mas, na hora do embate, lançam mão de qualquer expediente para ganhar uns votos. O PT se surpreendeu com essa atitude e talvez tenha taticamente se recolhido. Até em busca de uma explicação para tamanha virulência de um partido que nasceu com bandeiras modernas também.
 
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso defende a descriminalização das drogas.
Mas o PSDB finge que não ouve, né? Que não é com ele.
 
Mas o PT não perdeu a posição de "vanguarda"? Não virou, como já disseram, "o partido de combate à pobreza dentro da ordem absoluta"?
O PT é o partido mais vivo do país. Tem taxa de preferência quatro, cinco vezes maior que a do segundo colocado, o PMDB. É um fenômeno de massa impressionante. Já fez muito pelo país e continuará fazendo. Mas reage às circunstâncias. O partido acaba, de forma quase incontornável, fazendo cálculos sobre onde é possível avançar na sua própria agenda com mais facilidade e aderência social. E por isso o que o teu principal adversário faz importa.
 
ONDA CONSERVADORA
E há no plano da cultura, indiscutivelmente, uma onda conservadora impressionante. Basta você ver quem eram os intelectuais, os filósofos, os críticos que tinham voz e palanque nos anos 80 e 90 -e compará-los com os de hoje. Não vou dizer nomes. Mas é uma desproporção! Você tem uma virada conservadora e rebaixada do ponto de vista argumentativo. Quer dizer, perdemos duas vezes. A agenda cultural parece que está na mão de pseudointelectuais.
Eu vejo esses fenômenos acontecerem inclusive fora do país. Houve uma guinada à direita, ao conservadorismo.
Importantes paradigmas sociais e econômicos vêm sendo rompidos pelos governos do PT. Mas reconheço que, no plano da cultura, há um déficit de pró-atividade. Acaba sendo uma escolha diante de uma circunstância muito problemática.
 
NOVO PT
Existe o PT, que tem força popular. Não é velho, não é novo. É o PT. Quando você conversa com o cidadão, ele fala 'eu voto no PT', ele não fala 'eu voto no novo PT'. E é óbvio que ele sabe que por trás da legenda tem a liderança do Lula, ou da Marta [Suplicy], da [Luiza] Erundina. Quem me levou a 28% dos votos [no primeiro turno da eleição] foi esse partido.
Não é assim no mundo desenvolvido? Alguém sabia quem era o Mitt Romney [candidato derrotado à Presidência dos EUA pelo Partido Republicano] pouco tempo atrás? Ele tem o voto republicano. O PT tem a força da legenda e empresta prestígio para quem empunha a bandeira. Com a consolidação dos partidos no Brasil, isso tende a ser a regra. A política fica menos personalista, abre espaço para a renovação permanente dos quadros.
 
EDUARDO CAMPOS
Olha, o Eduardo é um quadro político da mais alta respeitabilidade, qualificado para qualquer voo. Mas eu não acredito que saia candidato à Presidência da República [pelo PSB] em 2014.
 
Em 2018 o senhor pode concorrer à Presidência com ele?
Penso que Eduardo, neste ano, será candidato. Eu, não [risos]. Estou concentrado aqui nos meus afazeres, que não serão nada simples a partir do dia 2.

Frases
"Ponho as duas mãos no fogo pelo presidente Lula"
"Acho absolutamente temerário essa pessoa, o Marcos Valério, depois de anos defendendo reiteradamente uma versão, agora mudar"
"A partir do momento em que muda ao sabor das circunstâncias, a credibilidade dessa pessoa [Valério] é que precisa ser discutida"
"Lula é novo, fisicamente forte, gosta da política e foi o melhor presidente que o Brasil já teve. Por que não pode pensar em voltar?"
"O julgamento [do mensalão] estará imerso em controvérsia. Porque houve uma mudança de jurisprudência radical para a condenação dos acusados"
"O uso que partidos conservadores fizeram dessas temáticas [aborto e homofobia] pode, sim, ter acuado o PT"
"E há no plano da cultura, indiscutivelmente, uma onda conservadora impressionante"
"A agenda cultural está na mão de pseudointelectuais"