domingo, 29 de janeiro de 2017

Donald Trump – Uma disruptura no espaço-tempo

by Luiz Henrique Amorim

Na ficção cientifica, da qual sou fã, quando ocorre uma disruptura no espaço-tempo ou quebra de continuidade da linha temporal desencadeia uma série de eventos com graves consequências – onde planetas ou raças inteiras desaparecem, paradigmas são quebrados – o que era bom se torna mau e até aqueles que eram da facção do mal se bandeiam para o bem, em geral o herói (talvez Obama!?) e seus amigos são simplesmente riscados da história/linha temporal com todo seu legado.

As mudanças tão complexas, múltiplas, abrangentes e profundas que só descobrindo o momento exato do evento, e impendido sua consecução, se consegue provocar ou tentar a reversão histórica. Seria a candidatura, eleição ou posse de Trump?

Quem imaginou e torcia que as promessas de campanha de Donald Trump fossem apenas fanfarrices de um bufão tentando se eleger, vem descobrindo, amargamente, que ele pretende cumprir o que prometeu mesmo com as medidas mais estranhas e até aparentemente imorais e antiéticas estão sendo realizadas e com o grave risco de que estas mudanças possam ser legitimadas através do crescimento econômico e aumento do emprego – ainda que momentaneamente e não autossustentável.

Trump assim como todo populista não é inacreditável ele é grande parte da consciência da população americana "wasp" materializada no poder de forma explicita. Essa forma de pensar reside em todo o mundo ocidental, o que faltavam era a oportunidade de expressão (redes sociais) e um catalizador. É ótimo ver Trump agindo e bem exposto, será uma grande oportunidade para testar a democracia e as instituições dos EUA e, também, aprendermos observando.

O novo presidente dos EUA deixou de ser uma possibilidade remota, um candidato sem chances para ser eleito e colocar em pratica tudo que parte das comunidades que o apoiaram desejava. Não se trata de uma linha ideológica conservadora ou de direita como muitos querem rotular, as medidas de Trump é um mix de nacionalismo/esquerdismo, racismo, machismo e inclusive saudosismo diante da tecnologia e da diversidade inexorável. Enquanto escrevemos Trump suspendeu a entrada de refugiados em território americano e impôs estritos novos controles contra viajantes procedentes de Irã, Iraque, Líbia, Somália, Síria e Iêmen.

As medidas de Trump são bem semelhante às ideias de Hugo Chaves, Lula, Dilma, Cristina Kitchener, Evo Morales e nas profundezas históricas de Hitler, Mussoline e outros populistas nacionalistas. America First, A Venezuela primeiro, O povo brasileiro primeiro, A Argentina primeiro, A Alemanha primeiro...... de forma variada e em outras conotações – já ouvimos isso.

Ele não é nada diferente do sentimento, intenções e desejos de milhões de humanos do planeta terra que resistem às mudanças e que querem alguém que os guiem e revertam a linha do tempo. Nada diferente dos mulçumanos convictos que querem a volta do grande islã e muitas noivas no pós-morte via sacrifício violento.


Muitos dos seus apoiadores gostariam que o mundo voltasse aos anos sessenta ou talvez ao século XVIII quando as coisas eram mais simples e cada um ficavam no seu lugarzinho. Onde o branco era realmente branco, onde homens eram homens e mulheres eram mulheres e a vida e as coisas não eram tão complexas como a arquitetura de um smartphone. Como Trump e seus apoiadores muitos estão entre nós e só faltam encontrar a oportunidade da descontinuidade do espaço tempo.

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